terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

SAUDADE NÃO TEM TRADUÇÃO





Fui perguntar a minha amiga brasiguaya Eunice, qual a palavra em espanhol que traduzia saudade. Ela me disse que não existe.
Eunice é filha de missionários, morou no Brasil dos nove aos dezoito anos. Quando saiu daqui não queria deixar pra trás sua vida de menina. Quando voltou deixou muito mais do que queria no Brasil.
É alguém que pode falar com propriedade a respeito de saudade.
Fiquei pensando na minha filha. Ontem ela me disse que estava com saudades da pipoca da avó, coisa que pra mim não tem mais importância, mas que no universo infantil tem uma relevância enorme. Compramos milho, fizemos pipoca, e lhe dei um abraço. Sei que isso não é suficiente.
Sentimos saudades porque somos humanos e nossa existência é passional, movida pela graxa da emoção, que borra a alma de sentimentos muitas vezes inexplicáveis e sem tradução, visto que é particular.
Com o Pai também é assim. Às vezes achamos que pra ele basta uma hora e meia aos domingos, para saciar a saudade de nos ter em seus braços. Definitivamente não! È pouco. Ele nos deseja a todo tempo. Deseja mais do nosso coração e do nosso querer. Deseja que o busquemos por Ele, e mais nada.
Ele quer que sintamos saudade Dele como Ele sente saudade de nós.

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