Agraciada, a avenida que moramos se chama Agraciada. É uma grande avenida que começa atrás do Palácio Legislativo e se estende por cerca de 6000 endereços até terminar num viaduto, onde começa o bairro Paso Molino, nos fundos do Parque do Prado. Por ela passam diariamente milhares de carros e ônibus, além de uns veículos que só vi, até agora, aqui em Montevidéu. Aliás, por falar em veículos, é impressionante a quantidades de pequenas motos e triciclos que se vê nas ruas dessa cidade. As marcas chinesas são as mais vendidas, porém ninguém recomenda sem dúvida um fenômeno da contra recomendação.
Até agora não tinha despertado para o fato de que o nome da rua se chama Agraciada, aliás, a maioria das pessoas, como eu, freqüentemente não nota os detalhes mais simples da vida. Isso por que estamos absolutamente absorvidos pelo nosso ativismo cotidiano. Então, por isso, muitas vezes, deixamos de perceber que um simples nome de uma rua pode revelar o quanto Deus é bondoso. Partindo do princípio de que o Altíssimo governa soberanamente as nossas vidas, o nome dessa avenida, para mim, pode ter um significado todo especial. Maria mãe de Jesus é chamada de agraciada pelo anjo Gabriel em Lucas 1:28. É amplamente sabido que anjos são mensageiros de Deus. Não falam aquilo que o Eterno não mandou, portanto, Deus a chamou de agraciada. E por quê? Tenho pra mim que somos agraciados porque recebemos aquilo que não esperávamos. Maria não sonhava em ser a mãe do Salvador, ela não projetou, muito menos planejou tal coisa. Isso aconteceu na vida dela por Graça pura, uma surpresa de Deus em sua vida. Assim acontece até hoje conosco. Somos todos agraciados porque Deus tem nos surpreendido todos os dias. O desafio para nós é aprender a curtir as surpresas de Deus em nossas vidas. Frequentemente nos descobrimos reclamando com Deus aquilo que ainda não se concretizou, seja um sonho, um projeto ou até mesmo algo que nos levará a algum tipo de ruína. Simplesmente Deus não nos concede essas coisas porque a Palavra nos diz que “não sabemos pedir como convém”. Convém a quem? A Ele, ao Altíssimo, ao Soberano do universo. Ele sempre quer o nosso bem. Muitas vezes pedimos pedra em lugar de pão sem saber, e o Espírito Santo conserta a nossa oração.
Quando não esperamos naquilo que projetamos ou sonhamos, mas somente Nele somos ternamente surpreendidos com as suas bênçãos.
Agraciados são aqueles que são surpreendidos por Deus cujo endereço Ele conhece bem, ainda que o nome da rua não seja Agraciada.
quarta-feira, 4 de março de 2009
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
ESSA DOEU!
Saímos um pouco hoje pela manhã para aliviar a saudade, já que em dia assim, feriado, com a cidade vazia e poucos carros nas ruas, as emoções parecem mais frágeis.
O bairro em que moramos fica ao lado de um lindo bairro chamado Prado. É uma linda zona com casas grandes, calçadas largas e muitas árvores. Enquanto caminhávamos e admirávamos a beleza do lugar, incluindo as intervenções dos arquitetos, engenheiros e pedreiros, que com sua arte deixaram obras extraordinárias como legado, senti vontade de morar ali, pois é bem mais perto da escola onde Maria Eduarda vai estudar, e no inverno isso realmente faz diferença.
Passamos por uma instituição de ensino que exibia um grande outdoor fazendo uma propaganda que dizia: Um colégio que faz escola. Rita comentou que Maria Eduarda poderia estudar ali. Eu contestei dizendo que quando se muda de país se tem duas opções principais. A primeira é para quem tem dinheiro e aluga o que quer, onde quer, escolhendo aquilo que mais o agrada, porque pode pagar. A segunda, que é o nosso caso, escolhe baseado em informações e possibilidades que se apresentam na ocasião da chegada. Nesse momento, Maria Eduarda que acompanhava nossa conversa calada, deferiu um comentário: Não tem Deus nisso não gente!
Logo de manhã uma “palmada” dessas, ministrada pelo Espírito Santo deixa a gente desconcertado.
Depois ela continuou falando outra coisa como se nada tivesse acontecido.
Aquela palavra está até agora reverberando em meu coração, pelo menos por três motivos.
O primeiro tem a ver com a misericórdia de Deus em intervir imediatamente para corrigir um pensamento meu tão focado em mim, esquecendo que a sua Graça me basta! Quantas vezes explicamos a nossa vida pelas causas humanas, sem perceber a mão do Pai sustentando e provisionando todas as coisas? Quantas vezes demitimos o Altíssimo como protagonista da nossa vida, tornando-o apenas um coadjuvante em nosso pensamento e ações?
O segundo motivo fala do propósito do Eterno em escolher lugares, pessoas e todas as demais coisas que nos são acrescentadas. Às vezes criamos uma imagem para o Senhor Deus que não traduz a sua pessoa. Erramos em admitir em nossas mentes e corações, mesmo sem perceber, que o Pai é um ser reativo, ficando sentado no trono, para tomar decisões a partir das nossas, ou seja, em reação às nossas. Deus é o construtor da história e esse fato nos inclui. Ele desenhou, calculou, construiu e sustenta até agora todas as coisas pela Palavra do seu Poder. É Ele quem dá as ordens, tendo um propósito em cada milímetro da nossa existência.
O terceiro motivo tem a ver diretamente com a Duda. Quantas vezes somos usados por Deus sem perceber. Uma palavra, um gesto, um sorriso, uma atenção a alguém. Uma das tentações humanas é o reconhecimento. Isso também se desenvolve diante daquilo que fazemos para Deus.
Gostamos que os outros notem aquilo que é para o Altíssimo notar. Gostamos de aplausos por aquilo que só o céu deveria reverenciar, sobretudo, por que é o Senhor que está agindo em nós e por nós.
Minha filha foi usada por Deus para mim e nem se deu conta.
Ah! Estava me esquecendo. Ela é só uma criança. Será que isso explica?
O bairro em que moramos fica ao lado de um lindo bairro chamado Prado. É uma linda zona com casas grandes, calçadas largas e muitas árvores. Enquanto caminhávamos e admirávamos a beleza do lugar, incluindo as intervenções dos arquitetos, engenheiros e pedreiros, que com sua arte deixaram obras extraordinárias como legado, senti vontade de morar ali, pois é bem mais perto da escola onde Maria Eduarda vai estudar, e no inverno isso realmente faz diferença.
Passamos por uma instituição de ensino que exibia um grande outdoor fazendo uma propaganda que dizia: Um colégio que faz escola. Rita comentou que Maria Eduarda poderia estudar ali. Eu contestei dizendo que quando se muda de país se tem duas opções principais. A primeira é para quem tem dinheiro e aluga o que quer, onde quer, escolhendo aquilo que mais o agrada, porque pode pagar. A segunda, que é o nosso caso, escolhe baseado em informações e possibilidades que se apresentam na ocasião da chegada. Nesse momento, Maria Eduarda que acompanhava nossa conversa calada, deferiu um comentário: Não tem Deus nisso não gente!
Logo de manhã uma “palmada” dessas, ministrada pelo Espírito Santo deixa a gente desconcertado.
Depois ela continuou falando outra coisa como se nada tivesse acontecido.
Aquela palavra está até agora reverberando em meu coração, pelo menos por três motivos.
O primeiro tem a ver com a misericórdia de Deus em intervir imediatamente para corrigir um pensamento meu tão focado em mim, esquecendo que a sua Graça me basta! Quantas vezes explicamos a nossa vida pelas causas humanas, sem perceber a mão do Pai sustentando e provisionando todas as coisas? Quantas vezes demitimos o Altíssimo como protagonista da nossa vida, tornando-o apenas um coadjuvante em nosso pensamento e ações?
O segundo motivo fala do propósito do Eterno em escolher lugares, pessoas e todas as demais coisas que nos são acrescentadas. Às vezes criamos uma imagem para o Senhor Deus que não traduz a sua pessoa. Erramos em admitir em nossas mentes e corações, mesmo sem perceber, que o Pai é um ser reativo, ficando sentado no trono, para tomar decisões a partir das nossas, ou seja, em reação às nossas. Deus é o construtor da história e esse fato nos inclui. Ele desenhou, calculou, construiu e sustenta até agora todas as coisas pela Palavra do seu Poder. É Ele quem dá as ordens, tendo um propósito em cada milímetro da nossa existência.
O terceiro motivo tem a ver diretamente com a Duda. Quantas vezes somos usados por Deus sem perceber. Uma palavra, um gesto, um sorriso, uma atenção a alguém. Uma das tentações humanas é o reconhecimento. Isso também se desenvolve diante daquilo que fazemos para Deus.
Gostamos que os outros notem aquilo que é para o Altíssimo notar. Gostamos de aplausos por aquilo que só o céu deveria reverenciar, sobretudo, por que é o Senhor que está agindo em nós e por nós.
Minha filha foi usada por Deus para mim e nem se deu conta.
Ah! Estava me esquecendo. Ela é só uma criança. Será que isso explica?
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
A chuva é um exemplo da provisão de Deus
Acordei neste domingo de carnaval despertado pela chuva que caía torrencialmente sobre Montevidéu, pelo menos no bairro que agente mora. Depois de alguns dias de muito calor a temperatura despencou assustadoramente, sobretudo, para nós que estamos ainda em fase de adaptação, essas quedas bruscas costumam despertar aquele vírus que nunca nos abandona e atende pelo nome de gripe. Aqui quando chega uma frente dessas, geralmente os ventos que a trazem ficam passeando pela cidade. São rajadas que fazem as gotas de água que caem do céu perder a direção, até tocar o solo. Depois de chegarem ao chão, começam o caminho das partes mais altas até as parte mais baixas, e daí para o mar, onde serão sacadas novamente, a partir do aumento da temperatura daqui a alguns dias, evaporando e refazendo o seu caminho ao céu viajando na força do vento em altitudes atmosféricas.
Fiquei pensando nessa viagem. É só água, não passa disso, líquida, gasosa, e às vezes sólida por causa das baixas temperaturas, mas sempre água. Inodora, insípida e incolor. Mas essencial à vida.
O que é essencial para vida sempre volta a nossa existência pelas mãos do Deus provedor. Às vezes torrencialmente, em outras horas com ventos ou de forma branda. Em algumas ocasiões demora a cair, mas fatalmente virá por força do seu amor e cuidado.
O problema conosco é que nos descobrimos muitas vezes inconformados com o método que o Altíssimo usa, e com as suas estratégias para trazer a provisão à nossa vida. A chuva nos ensina a esperar por Ele. Aos ventos o Senhor dá ordens para que traga e leve a sua provisão, e continue a completar o ciclo governado pela sua Graça.
Paz!
Fiquei pensando nessa viagem. É só água, não passa disso, líquida, gasosa, e às vezes sólida por causa das baixas temperaturas, mas sempre água. Inodora, insípida e incolor. Mas essencial à vida.
O que é essencial para vida sempre volta a nossa existência pelas mãos do Deus provedor. Às vezes torrencialmente, em outras horas com ventos ou de forma branda. Em algumas ocasiões demora a cair, mas fatalmente virá por força do seu amor e cuidado.
O problema conosco é que nos descobrimos muitas vezes inconformados com o método que o Altíssimo usa, e com as suas estratégias para trazer a provisão à nossa vida. A chuva nos ensina a esperar por Ele. Aos ventos o Senhor dá ordens para que traga e leve a sua provisão, e continue a completar o ciclo governado pela sua Graça.
Paz!
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
SAUDADE NÃO TEM TRADUÇÃO
Fui perguntar a minha amiga brasiguaya Eunice, qual a palavra em espanhol que traduzia saudade. Ela me disse que não existe.
Eunice é filha de missionários, morou no Brasil dos nove aos dezoito anos. Quando saiu daqui não queria deixar pra trás sua vida de menina. Quando voltou deixou muito mais do que queria no Brasil.
É alguém que pode falar com propriedade a respeito de saudade.
Fiquei pensando na minha filha. Ontem ela me disse que estava com saudades da pipoca da avó, coisa que pra mim não tem mais importância, mas que no universo infantil tem uma relevância enorme. Compramos milho, fizemos pipoca, e lhe dei um abraço. Sei que isso não é suficiente.
Sentimos saudades porque somos humanos e nossa existência é passional, movida pela graxa da emoção, que borra a alma de sentimentos muitas vezes inexplicáveis e sem tradução, visto que é particular.
Com o Pai também é assim. Às vezes achamos que pra ele basta uma hora e meia aos domingos, para saciar a saudade de nos ter em seus braços. Definitivamente não! È pouco. Ele nos deseja a todo tempo. Deseja mais do nosso coração e do nosso querer. Deseja que o busquemos por Ele, e mais nada.
Ele quer que sintamos saudade Dele como Ele sente saudade de nós.
MOMENTOS DA MISSÃO
UM MÊS EM MONTEVIDEO

Parece que foi ontem que chegamos nessa cidade, mas já faz um mês. O mais importante são as percepções que se adquiri depois desse tempo. Claro que é um tempo de observação, uma fase de muita meditação.
Quem ouve a voz como nós ouvimos, e conseqüentemente tem as suas bases desestruturadas, fica sempre esperando que a recomposição seja na mesma velocidade que foi a ruptura. Ficamos ansiosos para que tudo se acerte no menor espaço de tempo. Mas é justamente aí que mora o perigo! Não reconhecer o processo de Deus é certamente um instrumento de angústia. O fato é que o Senhor é especialista em desconstruir e reconstruir. É nessa tensão que a sua vontade e o seu propósito vão tomando forma. O texto do vaso do oleiro nos exemplifica bem esse drama. Na verdade o drama é nosso, barro que mesmo nas mãos do oleiro consegue se estragar, apesar do oleiro está debruçado e entregue a sua obra.
Aqui em Montevidéu fica evidente para nós esse toque do Senhor em nossas vidas. Seu processo é diário. Seu sustento, sua atenção e cuidado ensinando sobre dependermos Dele. Quando olho para a sala do nosso apartamento ainda vazia, sem móveis, minha tentação é reclamar por aquilo que Ele ainda não nos deu. Recordo então, que muitas vezes preguei recomendando ser necessário ter um coração agradecido por aquilo que Deus nos dá, e não, aborrecidos por aquilo que Ele não nos dá.
Percebo então o seu processo. Fazendo-me encarnar a mensagem, como um profeta que recebe do coração de Deus e vive a realidade daquilo que profetiza.
Nesse tempo nada nos faltou da parte Dele. Como o salmo 23 nos assegura nada, nada mesmo!
Como é possível que falte alguma coisa a nós?
Aos seus filhos ele dá enquanto dormem.
Quem ouve a voz como nós ouvimos, e conseqüentemente tem as suas bases desestruturadas, fica sempre esperando que a recomposição seja na mesma velocidade que foi a ruptura. Ficamos ansiosos para que tudo se acerte no menor espaço de tempo. Mas é justamente aí que mora o perigo! Não reconhecer o processo de Deus é certamente um instrumento de angústia. O fato é que o Senhor é especialista em desconstruir e reconstruir. É nessa tensão que a sua vontade e o seu propósito vão tomando forma. O texto do vaso do oleiro nos exemplifica bem esse drama. Na verdade o drama é nosso, barro que mesmo nas mãos do oleiro consegue se estragar, apesar do oleiro está debruçado e entregue a sua obra.
Aqui em Montevidéu fica evidente para nós esse toque do Senhor em nossas vidas. Seu processo é diário. Seu sustento, sua atenção e cuidado ensinando sobre dependermos Dele. Quando olho para a sala do nosso apartamento ainda vazia, sem móveis, minha tentação é reclamar por aquilo que Ele ainda não nos deu. Recordo então, que muitas vezes preguei recomendando ser necessário ter um coração agradecido por aquilo que Deus nos dá, e não, aborrecidos por aquilo que Ele não nos dá.
Percebo então o seu processo. Fazendo-me encarnar a mensagem, como um profeta que recebe do coração de Deus e vive a realidade daquilo que profetiza.
Nesse tempo nada nos faltou da parte Dele. Como o salmo 23 nos assegura nada, nada mesmo!
Como é possível que falte alguma coisa a nós?
Aos seus filhos ele dá enquanto dormem.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
ALGUNS MOMENTOS DA MISSÃO
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
D Quem eu sou para onde eu vou?
Uma pergunta que deve fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas, talvez bilhões em todo o mundo. Aqui em Montevideo toda hora sou perguntado a respeito disso, não tão diretamente assim, mas quase sempre esse é o objetivo de alguem que inicia uma conversa. Saber quem é você e para onde, pelo menos de uma maneira filosófica, você está indo.
Isso ocorre com frequência comigo porque estou sem carro e vivo andando de taxi, que por aqui são bem baratinhos, aliás uma das pouquíssimas coisas baratas nessa cidade. Hoje descobri que tratamento dentário também é barato.Bom! mas quando a esmola é grande...dá pra desconfiar!
Voltando ao assunto...geralmente quando se "pega" um taxi aqui primeiro, obviamente se diz para onde se está indo. Existe uma maneira peculiar de fazer isso. As referências são as esquinas, por exemplo: Agraciada y Joaquim Suarez, uma das milhares de esquinas na cidade. Depois de um pouco de prosa, vem a pergunta que tem a ver com o ... que é você? já decorei algumas coisas para desenvolver uma conversa com o motorista. Meus objetivos em conversar com pessoas aqui passam necessariamente pela intenção de descobrir, de algum jeito, uma brecha para que eu apresente a Palavra de salvação. Os táxis aqui tem um vidro, que parece ser a prova de tiros, separando o motorista do passageiro que senta atrás. Mesmo quando estou com a Rita, faço questão de sentar na frente para ir conversando com o motorista. Alguns não me dão idéia, talvez seja o péssimo espanhol que falo. Talvez seja uma inveja do nosso futebol tão prodigioso.
Posso dizer que sou professor...vendedor...estudante, mas se disser que sou pastor, aí a reação pode ser uma surpresa. A mais normal é o assunto acabar por ali mesmo. Alguns perguntam se sou da Pare de Sufrir, seita que nós conhecemos como IURD ou Universal. Pouco vale se explico que não, que a congregacional foi a primeira igreja do Brasil, e tudo mais. O estrago já foi feito. A equação é simples. Brasileiro, pastor, seguramente é um 171 qualquer tentando se arrumar. Por isso o papo aqui não rola muito na direção de quem eu sou.
Tento desenvolver a conversa mais pelo caminho a quem eu pertenço. Sou de Jesus. De quem você é, determina para onde você vai. Esse "De" maiúsculo muda tudo em nossa vida!
Essa é uma mensagem que ainda não vi ser pregada aqui.
Uma pergunta que deve fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas, talvez bilhões em todo o mundo. Aqui em Montevideo toda hora sou perguntado a respeito disso, não tão diretamente assim, mas quase sempre esse é o objetivo de alguem que inicia uma conversa. Saber quem é você e para onde, pelo menos de uma maneira filosófica, você está indo.
Isso ocorre com frequência comigo porque estou sem carro e vivo andando de taxi, que por aqui são bem baratinhos, aliás uma das pouquíssimas coisas baratas nessa cidade. Hoje descobri que tratamento dentário também é barato.Bom! mas quando a esmola é grande...dá pra desconfiar!
Voltando ao assunto...geralmente quando se "pega" um taxi aqui primeiro, obviamente se diz para onde se está indo. Existe uma maneira peculiar de fazer isso. As referências são as esquinas, por exemplo: Agraciada y Joaquim Suarez, uma das milhares de esquinas na cidade. Depois de um pouco de prosa, vem a pergunta que tem a ver com o ... que é você? já decorei algumas coisas para desenvolver uma conversa com o motorista. Meus objetivos em conversar com pessoas aqui passam necessariamente pela intenção de descobrir, de algum jeito, uma brecha para que eu apresente a Palavra de salvação. Os táxis aqui tem um vidro, que parece ser a prova de tiros, separando o motorista do passageiro que senta atrás. Mesmo quando estou com a Rita, faço questão de sentar na frente para ir conversando com o motorista. Alguns não me dão idéia, talvez seja o péssimo espanhol que falo. Talvez seja uma inveja do nosso futebol tão prodigioso.
Posso dizer que sou professor...vendedor...estudante, mas se disser que sou pastor, aí a reação pode ser uma surpresa. A mais normal é o assunto acabar por ali mesmo. Alguns perguntam se sou da Pare de Sufrir, seita que nós conhecemos como IURD ou Universal. Pouco vale se explico que não, que a congregacional foi a primeira igreja do Brasil, e tudo mais. O estrago já foi feito. A equação é simples. Brasileiro, pastor, seguramente é um 171 qualquer tentando se arrumar. Por isso o papo aqui não rola muito na direção de quem eu sou.
Tento desenvolver a conversa mais pelo caminho a quem eu pertenço. Sou de Jesus. De quem você é, determina para onde você vai. Esse "De" maiúsculo muda tudo em nossa vida!
Essa é uma mensagem que ainda não vi ser pregada aqui.
Conhecendo Montevidéu

Trinta de janeiro de dois mil e nove, na verdade trinta e um de janeiro, porque já são duas horas da manhã de um sábado chuvoso em Montevideo,Uruguai.
Chegamos no dia dezessete, um sábado também, mas naquele dia fazia muito calor, cerca de trinta e quatro graus e um começo de noite ainda ensolarado, pois nessa época do ano as noites são mais longas e o sol se põe lá pelas vinte e uma horas e trinta minutos. Mas nada pode ser mais longo do que a insônia que me atormenta agora. Diversos pensamentos me afligem a memória, quase que para me tirar a paz. Já tenho conversado com a minha alma e recomendado a ela para que se acalme, Não posso acrescentar ou subtrair nada da realidade. Tudo é como está, apesar de parecer filosófico.
Montevideo é uma cidade com dimensões equilibradas, dizem que vivem aqui cerca de um milhão e meio de pessoas, pessoalmente não acredito, porque não vejo tanta gente assim. Existem muitas partes da cidade que são como um paraíso, com ruas largas, abundantemente arborizadas, sem ninguém nas calçadas, cheias de lindas casas com suas portas e janelas fechadas. Não há quase crianças pelas ruas, o que ratifica a suspeita que essa cidade tem uma população envelhecida. Para falar de sua gente não existe dificuldade. Trata-se de pessoas educadas, que usam regularmente as palavras que desde cedo nossos avós e pais nos ensinam e que na fase adulta não costumamos usar com freqüência. Por favor, obrigado e inúmeros desejos de sorte e felicidades são ouvidos todos os dias em qualquer lugar. Seja num taxi ou no supermercado, as pessoas são naturalmente educadas.
Depois de três meses sem chuva a três dias as minúsculas gotas não param de cair sobre a cidade, regando os lindos parques que por aqui existem. Ajudadas pelo vento que muda de direção mas não cessa de trabalhar, a chuva pôs fim a uma terrível expectativa. Num país pequeno como esse, em que cerca de noventa por cento do território alimento os dez por cento restantes, a economia sofre grande risco toda vez que algo semelhante acontece. O medo podia ser sentido em quase todos. Dias atrás peguei um taxi para vir do centro a minha residência, não mais que dez minutos são necessários para fazer o percurso. O taxista começou a tagarelar sobre a situação do país, achando que eu era turista brasileiro só de passagem. Ao saber que sou um novo residente e visivelmente embaraçado, confessou que estava muito preocupado com a questão econômica do país. Essa preocupação momentaneamente se desfez com as águas de verão.
A insônia persiste e eu me alegro em contar mais dessa metrópole que também é um dos dezenove departamentos do Uruguai. Apesar de não possuir uma grande variedade culinária é possível comer bem em alguns lugares. Mas o melhor é poder comprar no mercado e cozinhar em casa, proeza que conseguimos a quatro dias. Rita, minha esposa, já cozinhou mais aqui do que em onze anos de casamento. Há um supermercado bem pertinho do apartamento em que moramos. A bateria do meu laptop está quase a zero e não quero recarregá-lo agora. Amanhã, hoje, devo continuar essa conversa comigo e com a tela do computador, até que passe a minha insônia.
Chegamos no dia dezessete, um sábado também, mas naquele dia fazia muito calor, cerca de trinta e quatro graus e um começo de noite ainda ensolarado, pois nessa época do ano as noites são mais longas e o sol se põe lá pelas vinte e uma horas e trinta minutos. Mas nada pode ser mais longo do que a insônia que me atormenta agora. Diversos pensamentos me afligem a memória, quase que para me tirar a paz. Já tenho conversado com a minha alma e recomendado a ela para que se acalme, Não posso acrescentar ou subtrair nada da realidade. Tudo é como está, apesar de parecer filosófico.
Montevideo é uma cidade com dimensões equilibradas, dizem que vivem aqui cerca de um milhão e meio de pessoas, pessoalmente não acredito, porque não vejo tanta gente assim. Existem muitas partes da cidade que são como um paraíso, com ruas largas, abundantemente arborizadas, sem ninguém nas calçadas, cheias de lindas casas com suas portas e janelas fechadas. Não há quase crianças pelas ruas, o que ratifica a suspeita que essa cidade tem uma população envelhecida. Para falar de sua gente não existe dificuldade. Trata-se de pessoas educadas, que usam regularmente as palavras que desde cedo nossos avós e pais nos ensinam e que na fase adulta não costumamos usar com freqüência. Por favor, obrigado e inúmeros desejos de sorte e felicidades são ouvidos todos os dias em qualquer lugar. Seja num taxi ou no supermercado, as pessoas são naturalmente educadas.
Depois de três meses sem chuva a três dias as minúsculas gotas não param de cair sobre a cidade, regando os lindos parques que por aqui existem. Ajudadas pelo vento que muda de direção mas não cessa de trabalhar, a chuva pôs fim a uma terrível expectativa. Num país pequeno como esse, em que cerca de noventa por cento do território alimento os dez por cento restantes, a economia sofre grande risco toda vez que algo semelhante acontece. O medo podia ser sentido em quase todos. Dias atrás peguei um taxi para vir do centro a minha residência, não mais que dez minutos são necessários para fazer o percurso. O taxista começou a tagarelar sobre a situação do país, achando que eu era turista brasileiro só de passagem. Ao saber que sou um novo residente e visivelmente embaraçado, confessou que estava muito preocupado com a questão econômica do país. Essa preocupação momentaneamente se desfez com as águas de verão.
A insônia persiste e eu me alegro em contar mais dessa metrópole que também é um dos dezenove departamentos do Uruguai. Apesar de não possuir uma grande variedade culinária é possível comer bem em alguns lugares. Mas o melhor é poder comprar no mercado e cozinhar em casa, proeza que conseguimos a quatro dias. Rita, minha esposa, já cozinhou mais aqui do que em onze anos de casamento. Há um supermercado bem pertinho do apartamento em que moramos. A bateria do meu laptop está quase a zero e não quero recarregá-lo agora. Amanhã, hoje, devo continuar essa conversa comigo e com a tela do computador, até que passe a minha insônia.
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