
Trinta de janeiro de dois mil e nove, na verdade trinta e um de janeiro, porque já são duas horas da manhã de um sábado chuvoso em Montevideo,Uruguai.
Chegamos no dia dezessete, um sábado também, mas naquele dia fazia muito calor, cerca de trinta e quatro graus e um começo de noite ainda ensolarado, pois nessa época do ano as noites são mais longas e o sol se põe lá pelas vinte e uma horas e trinta minutos. Mas nada pode ser mais longo do que a insônia que me atormenta agora. Diversos pensamentos me afligem a memória, quase que para me tirar a paz. Já tenho conversado com a minha alma e recomendado a ela para que se acalme, Não posso acrescentar ou subtrair nada da realidade. Tudo é como está, apesar de parecer filosófico.
Montevideo é uma cidade com dimensões equilibradas, dizem que vivem aqui cerca de um milhão e meio de pessoas, pessoalmente não acredito, porque não vejo tanta gente assim. Existem muitas partes da cidade que são como um paraíso, com ruas largas, abundantemente arborizadas, sem ninguém nas calçadas, cheias de lindas casas com suas portas e janelas fechadas. Não há quase crianças pelas ruas, o que ratifica a suspeita que essa cidade tem uma população envelhecida. Para falar de sua gente não existe dificuldade. Trata-se de pessoas educadas, que usam regularmente as palavras que desde cedo nossos avós e pais nos ensinam e que na fase adulta não costumamos usar com freqüência. Por favor, obrigado e inúmeros desejos de sorte e felicidades são ouvidos todos os dias em qualquer lugar. Seja num taxi ou no supermercado, as pessoas são naturalmente educadas.
Depois de três meses sem chuva a três dias as minúsculas gotas não param de cair sobre a cidade, regando os lindos parques que por aqui existem. Ajudadas pelo vento que muda de direção mas não cessa de trabalhar, a chuva pôs fim a uma terrível expectativa. Num país pequeno como esse, em que cerca de noventa por cento do território alimento os dez por cento restantes, a economia sofre grande risco toda vez que algo semelhante acontece. O medo podia ser sentido em quase todos. Dias atrás peguei um taxi para vir do centro a minha residência, não mais que dez minutos são necessários para fazer o percurso. O taxista começou a tagarelar sobre a situação do país, achando que eu era turista brasileiro só de passagem. Ao saber que sou um novo residente e visivelmente embaraçado, confessou que estava muito preocupado com a questão econômica do país. Essa preocupação momentaneamente se desfez com as águas de verão.
A insônia persiste e eu me alegro em contar mais dessa metrópole que também é um dos dezenove departamentos do Uruguai. Apesar de não possuir uma grande variedade culinária é possível comer bem em alguns lugares. Mas o melhor é poder comprar no mercado e cozinhar em casa, proeza que conseguimos a quatro dias. Rita, minha esposa, já cozinhou mais aqui do que em onze anos de casamento. Há um supermercado bem pertinho do apartamento em que moramos. A bateria do meu laptop está quase a zero e não quero recarregá-lo agora. Amanhã, hoje, devo continuar essa conversa comigo e com a tela do computador, até que passe a minha insônia.
Chegamos no dia dezessete, um sábado também, mas naquele dia fazia muito calor, cerca de trinta e quatro graus e um começo de noite ainda ensolarado, pois nessa época do ano as noites são mais longas e o sol se põe lá pelas vinte e uma horas e trinta minutos. Mas nada pode ser mais longo do que a insônia que me atormenta agora. Diversos pensamentos me afligem a memória, quase que para me tirar a paz. Já tenho conversado com a minha alma e recomendado a ela para que se acalme, Não posso acrescentar ou subtrair nada da realidade. Tudo é como está, apesar de parecer filosófico.
Montevideo é uma cidade com dimensões equilibradas, dizem que vivem aqui cerca de um milhão e meio de pessoas, pessoalmente não acredito, porque não vejo tanta gente assim. Existem muitas partes da cidade que são como um paraíso, com ruas largas, abundantemente arborizadas, sem ninguém nas calçadas, cheias de lindas casas com suas portas e janelas fechadas. Não há quase crianças pelas ruas, o que ratifica a suspeita que essa cidade tem uma população envelhecida. Para falar de sua gente não existe dificuldade. Trata-se de pessoas educadas, que usam regularmente as palavras que desde cedo nossos avós e pais nos ensinam e que na fase adulta não costumamos usar com freqüência. Por favor, obrigado e inúmeros desejos de sorte e felicidades são ouvidos todos os dias em qualquer lugar. Seja num taxi ou no supermercado, as pessoas são naturalmente educadas.
Depois de três meses sem chuva a três dias as minúsculas gotas não param de cair sobre a cidade, regando os lindos parques que por aqui existem. Ajudadas pelo vento que muda de direção mas não cessa de trabalhar, a chuva pôs fim a uma terrível expectativa. Num país pequeno como esse, em que cerca de noventa por cento do território alimento os dez por cento restantes, a economia sofre grande risco toda vez que algo semelhante acontece. O medo podia ser sentido em quase todos. Dias atrás peguei um taxi para vir do centro a minha residência, não mais que dez minutos são necessários para fazer o percurso. O taxista começou a tagarelar sobre a situação do país, achando que eu era turista brasileiro só de passagem. Ao saber que sou um novo residente e visivelmente embaraçado, confessou que estava muito preocupado com a questão econômica do país. Essa preocupação momentaneamente se desfez com as águas de verão.
A insônia persiste e eu me alegro em contar mais dessa metrópole que também é um dos dezenove departamentos do Uruguai. Apesar de não possuir uma grande variedade culinária é possível comer bem em alguns lugares. Mas o melhor é poder comprar no mercado e cozinhar em casa, proeza que conseguimos a quatro dias. Rita, minha esposa, já cozinhou mais aqui do que em onze anos de casamento. Há um supermercado bem pertinho do apartamento em que moramos. A bateria do meu laptop está quase a zero e não quero recarregá-lo agora. Amanhã, hoje, devo continuar essa conversa comigo e com a tela do computador, até que passe a minha insônia.

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Abraços.